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CINEMA: Com temática LGBT, longa ‘Crime Barato’ estreia quinta-feira no MIS

O filme foi produzido pelo cineasta Mhiguel Horta

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Com uma perspectiva realista do mundo LGBT, o filme “Crime Barato” será lançado nesta quinta-feira (13), às 19 horas, no MIS (Museu da Imagem e do Som). A produção é dirigida por Mhiguel Horta e para sua finalização contou com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Investimento Cultural), oriundos da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo). A sessão é gratuita.

O longa tem 95 minutos e nos mostra a relação conturbada de Michael, vivido pelo ator João Pedro Xavier e Elias, interpretado pelo ator Diogo Adriani. Os dois são namorados, mas acabam se afastando. Quando se reencontram Michael tem uma grande surpresa e decide romper de vez por não aprovar o que vê, mostrando que também há preconceito dentro do mundo LGBT.

“Crime Barato” ainda apresenta a difícil relação de Elias com sua família, por sempre ter apresentado gostos voltados ao universo feminino, e também as dificuldades que Michael enfrentou com sua irmã, e sua bonita relação com a mãe. Mhiguel buscou trabalhar muito a sensibilidade, e transformando estereótipos como gays, drags, travestis, pessoas trans em personagens cheios de possibilidades, sem o foco na ênfase sexual.

O roteiro surgiu a partir de vivências pessoais do diretor. “Há muitos anos, um amigo me apresentou dois rapazes que dividiam uma casinha de madeira muito humilde numa pequena vila no Centro. Um deles trabalhava de atendente numa loja e o outro era cozinheiro numa pizzaria. Certa vez, estando na casa deles, um chegou do trabalho rapidamente tomou banho e se enfiou no quarto por horas. Eu levei um susto porque ele saiu de vestido provocante, peruca, maquiagem e bolsa. E disse que ia para rua fazer programa”, lembra.
Como já se enveredava pelo cinema e tinha uma pequena câmera, Mhiguel resolveu fazer um documentário intitulado “Meninos Que Querem Ser Meninas”. “Os dois faziam programas e me contavam as façanhas dos clientes e as situações que passavam. Eu via na expressão deles um grande desejo de serem meninas. Eles usavam adereços e tinham verdadeira paixão por roupas femininas”, relata.

As gravações começaram de modo colaborativo e todos os atores que participaram do filme são de Campo Grande. Diogo e João Pedro se interessavam pela história e aceitaram seus papéis assim que receberam o convite. “Aceitei pelo desafio de fazer dois papéis tão diferentes e pelo fato de eu nunca ter feito algo no cinema. Foram três meses de gravação intensa e ao mesmo tempo que o cansaço vinha, eu ficava mais ansioso pelo resultado”, conta Diogo.

“Quando vi a história achei interessante pelo viés que ela é contada. Mostra o cenário LGBT sem os clichês que estamos acostumados a ver em diversas produções, mostra o preconceito”, reflete João Pedro.

No elenco ainda há atrizes consagradas de Campo Grande, como Camila Brito, Patrycia Andrade, Beth Terras. Também participam do longa drags, travestis e pessoas transgênero. “É importante abrir espaço para pessoas que vivem à margem da sociedade. A maioria das pessoas que conversei tiveram dificuldade em serem aceitas, por isso a visibilidade para eles é primordial, para que possam se enxergar”, frisa o diretor.

Após esta primeira exibição, o filme ainda circulará por algumas escolas da Capital e deve participar de festivais ainda este ano. Duas plataformas de exibição estrangeiras também o colocará à disposição, com legenda em inglês e espanhol. Ele também estará à disposição de qualquer grupo, entidade ou ONG que queira exibi-lo.

Serviço – A entrada é gratuita, e a exibição começa às 17h no MIS, que fica na av. Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar.

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