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De dedo em riste, índio exige que vereador peça desculpa após dizer que indígenas que bloqueavam rodovia em MS tinham que apanhar

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André Salineiro (PSDB) fez declaração na tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande, onde criticou manifestação de indígenas que ocorreu na BR-163, na terça-feira (6).

De dedo em riste, índio exige de vereador André Salineiro (PSDB), pedido de desculpa por declaração incitando a violência (Foto: Fabiano Arruda/TV Morena)

De dedo em riste uma liderança indígena interpelou na manhã desta quinta-feira (8) o vereador André Salineiro (PSDB), na Câmara de Campo Grande, exigindo que ele se retratasse pela declaração que ele fez na terça-feira passada (6), em que criticava o protesto de indígenas que bloqueou o trânsito na BR-163, no mesmo dia, e disse que eles tinham de apanhar, porque se não, não mudariam a atitude (desbloqueariam a estrada).

Logo após a declaração feita na tribuna da Câmara e diante da repercussão negativa das suas palavras o vereador tucano emitiu uma nota à imprensa justificando os comentários. “Soube que um senhor portador de câncer, com consulta marcada há 3 meses perdeu a consulta por causa do bloqueio, e por isso me exaltei. Meu protesto não foi contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas.”

A retratação, entretanto, não deixou satisfeita as lideranças indígenas. Um grupo com cerca de 30 pessoas, de aldeias da região de Sidrolândia, que participaram do protesto na terça-feira, chegaram por volta das 9h a Câmara. Logo que o vereador entrou no plenário, em torno das 9h30, foi interpelado por eles, mas disse que se desculparia primeiro no plenário e depois conversaria com eles.

Usando a palavra livre o vereador pediu desculpa aos indígenas, dizendo que se excedeu no uso das palavras, mas que a luta pelos direitos de um grupo, no caso, os indígenas, não poderia resultar na retirada de direitos dos outros. Reiterou ainda que é contra manifestações e protestos que tiram o direito de ir e vir das pessoas, como os bloqueios a rodovias, e que sua manifestação não era especificamente contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas brasileiras.

Logo após esse discurso, o vereador foi conversar, ainda no plenário da Câmara com as lideranças, que não concordaram com o pedido de desculpa dele. Um dos pontos mais questionados pelos índios era o argumento apresentado por ele de que uma pessoa com câncer teria perdido uma consulta médica em Campo Grande por conta do bloqueio. Os índios não aceitaram essa justificativa.

Após uma breve conversa no local e diante da falta da falta de um acordo uma reunião foi realizada na sala da presidência da Câmara, entre Salineiro, o presidente da Casa, João Rocha (PSDB) e as lideranças.

Veja, na íntegra, a nota do vereador André Salineiro (PSDB) emitida logo após seu discurso na Câmara, na terça-feira:

Com relação ao meu comentário em sessão plenária, na última terça-feira, esclareço que:

Estava me referindo aos protestos que tiram O DIREITO DE IR E VIR das pessoas. Soube que um senhor portador de câncer, com consulta marcada há 3 meses PERDEU A CONSULTA por causa do bloqueio, e por isso me exaltei.

Meu protesto não foi contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas brasileiras que tanto afetam o cidadão de bem. Pessoas perdem seus compromissos, crianças sofrem na espera dentro dos carros, problemas de saúde são agravados, cargas são perdidas, em alguns casos motoristas são extorquidos, etc…

O fato é que bloqueios não resolvem os problemas. Os índios podem buscar os órgãos responsáveis pela saúde indígena. POR QUE NÃO UM PROTESTO EM FRENTE A FUNAI?

Importante salientar que NÃO SOU CONTRA OS DIREITOS INDÍGENAS, mas sim contra protestos que coíbem os direitos dos demais (neste caso o de ir e vir). Além do que me referi a bloqueios de toda origem, inclusive dos Sem-terra. Ambos resolvem problemas desse tipo em negociações e procedimentos judiciais.

Me referi a TODOS OS PROTESTOS que prejudicam as pessoas que estão usando a estrada. Isso revolta a população e a polícia não pode fazer nada. É de INDIGNAR O CIDADÃO.

Quanto ao termo “descer o cacete”, me referi à necessidade do uso progressivo da força em caso de delitos, sejam eles quais forem. O Estado precisa usar da força necessária para conter o crime. O ideal é conseguir resolver sem uso da força, porém muitas vezes isso não acontece.

A minha fala foi uma forma de mostrar minha indignação que É A DE TODOS QUE JÁ FICARAM PRESOS NUM BLOQUEIO, não de indígenas, mas de sem-terra ou qualquer bloqueio.

Meu direito acaba quando começa o do outro, simples assim.

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